Um desabafo de segunda-feira: o que a rotina do fim de semana está fazendo com o seu pet?

Antes de trabalhar de verdade com bem-estar animal, eu achava que dar uma vida boa para um bicho era só o básico. Ração no pote, água limpa e um teto.

Com o tempo e conversando com centenas de clientes aqui na Pet Caixas, fui percebendo uma coisa: a gente tá errando feio na rotina deles. Qualidade de vida não é só barriga cheia.

Nesse final de semana, parei para reparar no comportamento de alguns pets de amigos. A maioria passa o sábado e o domingo recebendo atenção 24 horas por dia. É passeio longo, carinho no sofá e petisco toda hora.

Aí chega a segunda-feira de manhã... e o mundo do bicho desaba. A gente fecha a porta para ir trabalhar e eles ficam lá, sozinhos.

O tédio não é falta de limite

Tem muita gente achando que o pet destrói o pé da mesa porque é "malcriado" ou "vingativo". Gente achando que o cachorro late o dia todo só para irritar o vizinho.

Cansei de ver as pessoas tratando o tédio como se fosse falta de educação.

Entenda uma coisa: O bicho não é malcriado. Ele só tá carente e sem ter o que fazer com a energia dele.

Imagina você, trancado num quarto sem celular, sem TV, sem livro e sem ninguém por 9 horas seguidas. Você ia começar a roer a parede também.

O que mudou minha chave foi entender o conceito de enriquecimento ambiental. Basicamente, consiste em dar um "trabalho" para o bicho fazer enquanto a gente não está por perto. E não, você não precisa gastar rios de dinheiro ou horas do seu dia para isso.

Como preparar o ambiente em apenas 5 minutos

Quer um exemplo de como gastar só 5 minutos preparando a casa antes de sair?

  1. Pega uma caixinha de papelão limpa que você tem em casa ou um rolo vazio de papel toalha.

  2. Coloca uns grãos da ração ou uns petiscos ali dentro.

  3. Fecha as pontas amassando o papelão e faz uns furinhos pequenos.

  4. Pronto. Deixa no chão antes de fechar a porta.

O que para você parece lixo, para o seu cachorro ou gato virou um enigma. Ele vai passar a próxima hora focado em rasgar, farejar e descobrir como tirar a comida dali de dentro.

Em vez de focar na saudade de você ou em roer o seu sofá, o cérebro dele tá trabalhando. Ele gasta energia mental. Quando terminar, ele vai estar cansado e vai tirar um bom cochilo à tarde.

O foco é a saúde mental

O relato de uma cliente que atendi esses dias resume bem isso. Ela estava quase doando o gato porque ele destruía as cortinas da casa toda segunda-feira. Nós conversamos, mudamos pequenos hábitos na rotina da casa e ela deu um estímulo cognitivo para o gato se ocupar durante o dia.

O gato parou de arranhar a cortina. A dona parou de chorar de frustração. Isso é entender o bicho de verdade.

A saúde mental do seu pet define o comportamento dele. Onde e como você investe o tempo dele quando ele tá sozinho define se você vai ter um parceiro relaxado ou um bicho ansioso e estressado.

Deixar o pet sem estímulo na segunda-feira é pedir para ter dor de cabeça. Gastar 5 minutos preparando o ambiente para ele é investir na paz da sua casa.

Prefiro passar 10 minutos conversando com um tutor que quer entender a mente do bicho do que atender 100 pessoas que acham que pet é um bicho de pelúcia que você liga e desliga quando quer.

Preste atenção que tô falando da maioria. Não de todos. Sempre tem exceção. Mas posso dizer que negligenciar o tédio deles é um erro gigantesco. Pelo menos se você valoriza o bem-estar de quem te espera abanando o rabo todo dia.

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